Felizmente, diversas novas abordagens e metodologias estão ganhando voz e vez na educação. E uma delas é a chamada educação criativa. Essa se trata de uma metodologia séria, com objetivos pedagógicos concretos para estimular o aprendizado dos alunos e com resultados tangíveis a serem apresentados.
Ela tem em seu centro a criatividade. Ainda na Idade da Pedra, o ser humano utilizava sua criatividade para produzir ferramentas e aparatos que resolvessem os problemas com os quais se deparava. E nos anos posteriores a isso, nunca deixamos de criar.
De fato, a criatividade é um dos impulsos humanos mais básicos e que possibilitou a ascensão de nossa civilização. Apesar desse papel-chave, por vezes, essa é uma habilidade vista como menor ou dispensável. Porém, isso está sendo cada vez mais desmistificado e o crescimento da educação criativa é um dos indícios disso.
Neste artigo, compreenda melhor o que é a educação criativa, porque ela mostra-se tão pertinente e conheça seus principais benefícios para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Acompanhe a seguir.
Índice
- Afinal, o que é educação criativa?
- Quais são os 4 Ps da educação criativa?
- Como surgiu essa metodologia?
- Por que a educação criativa tem conquistado cada vez mais espaço nas escolas? Quais são seus principais benefícios?
- A educação criativa no ensino de crianças e adolescentes
Afinal, o que é educação criativa?
Há algum tempo, sente-se um descompasso entre o que é ensinado de forma geral nas escolas e o modo com o qual a sociedade caminha. Os progressos da ciência e da tecnologia, as mudanças nas formas de se comunicar, relacionar, trabalhar e viver em sociedade acabam não se fazendo presentes consistentemente na rotina escolar mais convencional, o que gera uma lacuna que acaba afetando ou retardando o desenvolvimento das crianças nesses aspectos, principalmente levando em conta a celeridade com que as inovações e as mudanças surgem.
Naturalmente, a educação também evoluiu. Embora propostas como a trazida pela educação criativa ainda estejam presentes apenas timidamente em muitas escolas, elas ajudam a trazer um pouco mais da tão relevante renovação e adaptação do universo escolar às demandas do mundo atual.

Desenvolvimento e estímulo à criatividade
Nesse contexto, a educação criativa é uma metodologia de ensino-aprendizagem que permite que as escolas (de ensino básico, de idiomas, etc.) se aproximem do mundo real e das habilidades requeridas por ele. Isso se dá com o foco no desenvolvimento e estímulo à criatividade dos alunos, ajudando-os, ainda, a tornarem-se protagonistas em seu processo de aprendizado e em sua realidade.
A educação criativa, por meio de diversas abordagens, ajuda a trazer mais autonomia, engajamento e efetividade para a sala de aula. Isso não quer dizer que aulas de matemática, inglês ou ciências ficam de lado – pelo contrário, com essa metodologia, essas aulas tornam-se mais interessantes para os alunos, aliando projetos práticos, experienciais e desafios instigantes. E isso tudo envolvendo outras demandas atuais e pertinentes, como a robótica, por exemplo.
Em suma, a educação criativa é a educação “fora da caixa”, que ajuda a aproximar a educação do mundo real, que utiliza técnicas que favorecem o aprendizado significativo para o aluno e que ajuda-o a desenvolver as habilidades e atitudes necessárias para ser criativo em qualquer contexto.
Quais são os 4 Ps da educação criativa?
A aprendizagem criativa foca-se no desenvolvimento de ambientes de aprendizagem centrados em quatro pilares – seus 4P’s:
- Projetos (projects): ao invés de um período para cada coisa, desenvolvem-se projetos que mobilizam conhecimentos interdisciplinares para proporcionar um aprendizado mais imersivo e significativo ao aluno.
- Paixão (passion): esses projetos envolvem a paixão do aluno em fazer/criar algo.
- Pares (peers): além do professor, os próprios colegas também são fonte de conhecimento e esse é potencializado quando é compartilhado.
- Pensar brincando (play): quando desenvolve atividades lúdicas orientadas, o jovem coloca em prática os Ps anteriores. Além disso, compreende-se que a criatividade funciona como um músculo: com exercício, se desenvolve; sem exercício, fica limitado ou atrofiado. Com isso, o pensar brincando é um dos exercícios para desenvolver a criatividade das crianças de modo mais lúdico.
Como surgiu essa metodologia?
O professor e pesquisador Mitchel Resnick, em parceria com o MIT Media Lab, envolveu-se na criação dessa metodologia, que é inspirada nas ideias do educador Seymour Papert.
Esse, por sua vez, baseou-se no construtivismo cognitivo representado pelo psicólogo e pensador da educação Jean Piaget, e criou o “construcionismo”, uma abordagem focada no desenvolvimento de pessoas que pensem e ajam de modo criativo e colaborativo.
Ainda, tem como foco o desenvolvimento baseado na execução de uma ação concreta que resulte na criação de algo palpável e pertinente a quem a produziu. Assim, essas foram as principais bases que deram origem à metodologia da educação criativa.
Por que a educação criativa tem conquistado cada vez mais espaço nas escolas? Quais são seus principais benefícios?

Efeitos positivos de uma metodologia inovadora
Como vimos, essa é uma metodologia alinhada aos nossos tempos, às nossas demandas e necessidades. Isso por si só mostra-se um motivo bom o suficiente para avaliar sua adoção no ensino de crianças e adolescentes.
É importante saber que nos primeiros anos após o nascimento, novas conexões neurais são formadas no cérebro de uma criança a uma taxa superior a um milhão por segundo. E, com a educação criativa, o resultado disso é potencializado, já que, conforme estudo, a exposição a um ambiente de aprendizado criativo ajuda as crianças a se desenvolverem física, social, emocional e cognitivamente.
Esses efeitos positivos e de longo prazo são corroborados por estudos como o desenvolvido pela Fundação Botín, da Espanha, que demonstrou que o acesso à educação criativa durante a infância pode elevar em quase 18% as possibilidades de ingresso no ensino superior e de se conquistar um bom emprego.
O mesmo estudo apontou que a ausência de atividades como as desenvolvidas na educação criativa pode aumentar em cinco vezes as probabilidades de o jovem tornar-se dependente de auxílio financeiro ou assistência pública no futuro.
Resultados como esses estão relacionados, principalmente, à considerada competência número 1 do século XXI: a criatividade. Assim, ao se estimular a criatividade já durante a primeira infância, assegura-se que a criança estará desenvolvendo a habilidade-chave para o seu futuro.
Quanto a esse ponto, é preciso compreender que estamos vivemos em tempos cada vez mais incertos, (isso é, com menos previsibilidade a partir de avaliação de históricos e com novas variáveis surgindo a todo o momento), mais complexos e voláteis (tudo muda o tempo todo e demanda respostas novas).

Criatividade é uma habilidade fundamental na educação
Nesse cenário, a habilidade de criar, conectar, recriar e cocriar torna-se altamente requerida ao ponto de, segundo previsões, atividades profissionais que não demandem a resolução de problemas complexos com criatividade estarem rumando ao desaparecimento.
Por tudo isso, outra pesquisa aponta a criatividade entre as habilidades fundamentais para serem desenvolvidas nos alunos, objetivando prepará-los para serem cidadãos que atendam às demandas do século XXI, instrumentalizando-os para que sejam confiantes, ágeis e adaptáveis em um mundo em constante mudança.
Ainda, esse estímulo ajuda a fomentar a transversalidade de pensamento, isso é, a capacidade de cruzar e combinar dados de diferentes áreas para desenvolver soluções. E isso é um dos maiores gaps vistos na educação tradicional: o conhecimento é compartimentado ou desenvolvido em blocos segmentados por áreas, diferentemente do que ocorre no mundo real.
Afinal, não somos acionados por nosso chefe em um momento específico do dia laboral a resolver um problema de aritmética, mas, sim, por exemplo, a propor formas de melhorar a custo-eficiência do negócio, o que demanda que utilizemos conhecimentos multidisciplinares para solucionar o desafio.
Por fim, vale lembrar também de que, enquanto trabalha em sua criatividade, a criança também acaba trabalhando na construção de sua autoconfiança e autoestima, na capacidade de desenvolver pensamento convergente e divergente, no estímulo à colaboração e ao desenvolvimento da resiliência, na capacidade de lidar com problemas e de propor soluções para eles, de ter um pensamento crítico e reflexivo, entre outras tão importantes.
Isso sem contar que o aprendizado de conhecimentos formais também é potencializado quando eles são trazidos de forma contextualizada, interativa e interessante para o aluno.
A educação criativa no ensino de crianças e adolescentes

Na sala de aula com aplicação da educação criativa, o professor atua como um mediador entre o jovem e o conhecimento, e não como um transmissor de respostas prontas. Isso torna as aulas mais instigantes e participativas, estimulando o gosto pela descoberta.
Desse modo, é preciso desmistificar a ideia de que na educação criativa a criatividade é um fim ou de que essa é uma abordagem muito abstrata ou “solta”. Tudo é desenvolvido com base em dados, em boas práticas e com resultados tangíveis. Com isso, a criatividade torna-se um meio bastante rico para ajudar o jovem a lidar com sua realidade – e a começar a criar hipóteses de como mudá-la para melhorá-la -, a resolver problemas e para aprender conceitos de outras disciplinas tradicionais.
Nessas aulas, são utilizados diferentes materiais, recursos e linguagens, mas tudo com um direcionamento objetivo e prático.
É natural que dúvidas surjam junto às novidades na educação. Afinal, a educação das crianças é uma das maiores responsabilidades de seus pais e das escolas. É por isso mesmo que é necessário estarmos abertos a novas possibilidades que tornem o ensino-aprendizagem mais fluido, eficiente, rápido e interessante para a criança.
Também é importante ter em mente que a realidade, hoje, é bastante diferente daquela de anos atrás. As crianças são nativas digitais e, desde cedo, desenvolvem a capacidade de, sempre que surgir uma dúvida ou a vontade de descobrir mais sobre alguma coisa, pesquisarem o tópico no Google. Assim, o próprio senso dos jovens enquanto aprendizes é totalmente diferente daquele de antigamente. Se todas essas variáveis mudaram, por que a educação não deveria mudar também?
E então, ficou mais claro para você o que é e quais são os benefícios da educação criativa? O que você achou dessa metodologia? Deixe sua mensagem nos comentários e continue acompanhando nosso blog para saber mais sobre esse e outros temas importantes para a educação de seu filho. Até a próxima!