EDUCAÇÃO CRIATIVA: O QUE É E COMO POR EM PRÁTICA?

EDUCAÇÃO CRIATIVA: O QUE É E COMO POR EM PRÁTICA?

Felizmente, diversas novas abordagens e metodologias estão ganhando voz e vez na educação. E uma delas é a chamada educação criativa. Essa se trata de uma metodologia séria, com objetivos pedagógicos concretos para estimular o aprendizado dos alunos e com resultados tangíveis a serem apresentados.

Ela tem em seu centro a criatividade. Ainda na Idade da Pedra, o ser humano utilizava sua criatividade para produzir ferramentas e aparatos que resolvessem os problemas com os quais se deparava. E nos anos posteriores a isso, nunca deixamos de criar.

De fato, a criatividade é um dos impulsos humanos mais básicos e que possibilitou a ascensão de nossa civilização. Apesar desse papel-chave, por vezes, essa é uma habilidade vista como menor ou dispensável. Porém, isso está sendo cada vez mais desmistificado e o crescimento da educação criativa é um dos indícios disso. 

Neste artigo, compreenda melhor o que é a educação criativa, porque ela mostra-se tão pertinente e conheça seus principais benefícios para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Acompanhe a seguir.

Índice

Afinal, o que é educação criativa?

Há algum tempo, sente-se um descompasso entre o que é ensinado de forma geral nas escolas e o modo com o qual a sociedade caminha. Os progressos da ciência e da tecnologia, as mudanças nas formas de se comunicar, relacionar, trabalhar e viver em sociedade acabam não se fazendo presentes consistentemente na rotina escolar mais convencional, o que gera uma lacuna que acaba afetando ou retardando o desenvolvimento das crianças nesses aspectos, principalmente levando em conta a celeridade com que as inovações e as mudanças surgem.

Naturalmente, a educação também evoluiu. Embora propostas como a trazida pela educação criativa ainda estejam presentes apenas timidamente em muitas escolas, elas ajudam a trazer um pouco mais da tão relevante renovação e adaptação do universo escolar às demandas do mundo atual.

Mão Segurando Livro

Desenvolvimento e estímulo à criatividade

Nesse contexto, a educação criativa é uma metodologia de ensino-aprendizagem que permite que as escolas (de ensino básico, de idiomas, etc.) se aproximem do mundo real e das habilidades requeridas por ele. Isso se dá com o foco no desenvolvimento e estímulo à criatividade dos alunos, ajudando-os, ainda, a tornarem-se protagonistas em seu processo de aprendizado e em sua realidade. 

A educação criativa, por meio de diversas abordagens, ajuda a trazer mais autonomia, engajamento e efetividade para a sala de aula. Isso não quer dizer que aulas de matemática, inglês ou ciências ficam de lado – pelo contrário, com essa metodologia, essas aulas tornam-se mais interessantes para os alunos, aliando projetos práticos, experienciais e desafios instigantes. E isso tudo envolvendo outras demandas atuais e pertinentes, como a robótica, por exemplo.

Em suma, a educação criativa é a educação “fora da caixa”, que ajuda a aproximar a educação do mundo real, que utiliza técnicas que favorecem o aprendizado significativo para o aluno e que ajuda-o a desenvolver as habilidades e atitudes necessárias para ser criativo em qualquer contexto.

Quais são os 4 Ps da educação criativa?

A aprendizagem criativa foca-se no desenvolvimento de ambientes de aprendizagem centrados em quatro pilares – seus 4P’s:

  1. Projetos (projects): ao invés de um período para cada coisa, desenvolvem-se projetos que mobilizam conhecimentos interdisciplinares para proporcionar um aprendizado mais imersivo e significativo ao aluno.
  2. Paixão (passion): esses projetos envolvem a paixão do aluno em fazer/criar algo.
  3. Pares (peers): além do professor, os próprios colegas também são fonte de conhecimento e esse é potencializado quando é compartilhado.
  4. Pensar brincando (play): quando desenvolve atividades lúdicas orientadas, o jovem coloca em prática os Ps anteriores. Além disso, compreende-se que a criatividade funciona como um músculo: com exercício, se desenvolve; sem exercício, fica limitado ou atrofiado. Com isso, o pensar brincando é um dos exercícios para desenvolver a criatividade das crianças de modo mais lúdico.

Como surgiu essa metodologia?

O professor e pesquisador Mitchel Resnick, em parceria com o MIT Media Lab, envolveu-se na criação dessa metodologia, que é inspirada nas ideias do educador Seymour Papert.

Esse, por sua vez, baseou-se no construtivismo cognitivo representado pelo psicólogo e pensador da educação Jean Piaget, e criou o “construcionismo”, uma abordagem focada no desenvolvimento de pessoas que pensem e ajam de modo criativo e colaborativo.

Ainda, tem como foco o desenvolvimento baseado na execução de uma ação concreta que resulte na criação de algo palpável e pertinente a quem a produziu. Assim, essas foram as principais bases que deram origem à metodologia da educação criativa.

Por que a educação criativa tem conquistado cada vez mais espaço nas escolas? Quais são seus principais benefícios?

Portrait of lovely girl with stack of books looking at camera at workplace

Efeitos positivos de uma metodologia inovadora

Como vimos, essa é uma metodologia alinhada aos nossos tempos, às nossas demandas e necessidades. Isso por si só mostra-se um motivo bom o suficiente para avaliar sua adoção no ensino de crianças e adolescentes.

É importante saber que nos primeiros anos após o nascimento, novas conexões neurais são formadas no cérebro de uma criança a uma taxa superior a um milhão por segundo. E, com a educação criativa, o resultado disso é potencializado, já que, conforme estudo, a exposição a um ambiente de aprendizado criativo ajuda as crianças a se desenvolverem física, social, emocional e cognitivamente.

Esses efeitos positivos e de longo prazo são corroborados por estudos como o desenvolvido pela Fundação Botín, da Espanha, que demonstrou que o acesso à educação criativa durante a infância pode elevar em quase 18% as possibilidades de ingresso no ensino superior e de se conquistar um bom emprego. 

O mesmo estudo apontou que a ausência de atividades como as desenvolvidas na educação criativa pode aumentar em cinco vezes as probabilidades de o jovem tornar-se dependente de auxílio financeiro ou assistência pública no futuro.  

Resultados como esses estão relacionados, principalmente, à considerada competência número 1 do século XXI: a criatividade. Assim, ao se estimular a criatividade já durante a primeira infância, assegura-se que a criança estará desenvolvendo a habilidade-chave para o seu futuro. 

Quanto a esse ponto, é preciso compreender que estamos vivemos em tempos cada vez mais incertos, (isso é, com menos previsibilidade a partir de avaliação de históricos e com novas variáveis surgindo a todo o momento), mais complexos e voláteis (tudo muda o tempo todo e demanda respostas novas).

Criatividade é uma habilidade fundamental na educação

Nesse cenário, a habilidade de criar, conectar, recriar e cocriar torna-se altamente requerida ao ponto de, segundo previsões, atividades profissionais que não demandem a resolução de problemas complexos com criatividade estarem rumando ao desaparecimento.

Por tudo isso, outra pesquisa aponta a criatividade entre as habilidades fundamentais para serem desenvolvidas nos alunos, objetivando prepará-los para serem cidadãos que atendam às demandas do século XXI,  instrumentalizando-os para que sejam confiantes, ágeis e adaptáveis em um mundo em constante mudança.

Ainda, esse estímulo ajuda a fomentar a transversalidade de pensamento, isso é, a capacidade de cruzar e combinar dados de diferentes áreas para desenvolver soluções. E isso é um dos maiores gaps vistos na educação tradicional: o conhecimento é compartimentado ou desenvolvido em blocos segmentados por áreas, diferentemente do que ocorre no mundo real.

Afinal, não somos acionados por nosso chefe em um momento específico do dia laboral a resolver um problema de aritmética, mas, sim, por exemplo, a propor formas de melhorar a custo-eficiência do negócio, o que demanda que utilizemos conhecimentos multidisciplinares para solucionar o desafio.

Por fim, vale lembrar também de que, enquanto trabalha em sua criatividade, a criança também acaba trabalhando na construção de sua autoconfiança e autoestima, na capacidade de desenvolver pensamento convergente e divergente, no estímulo à colaboração e ao desenvolvimento da resiliência, na capacidade de lidar com problemas e de propor soluções para eles, de ter um pensamento crítico e reflexivo, entre outras tão importantes. 

Isso sem contar que o aprendizado de conhecimentos formais também é potencializado quando eles são trazidos de forma contextualizada, interativa e interessante para o aluno. 

A educação criativa no ensino de crianças e adolescentes

Na sala de aula com aplicação da educação criativa, o professor atua como um mediador entre o jovem e o conhecimento, e não como um transmissor de respostas prontas. Isso torna as aulas mais instigantes e participativas, estimulando o gosto pela descoberta. 

Desse modo, é preciso desmistificar a ideia de que na educação criativa a criatividade é um fim ou de que essa é uma abordagem muito abstrata ou “solta”. Tudo é desenvolvido com base em dados, em boas práticas e com resultados tangíveis. Com isso, a criatividade torna-se um meio bastante rico para ajudar o jovem a lidar com sua realidade – e a começar a criar hipóteses de como mudá-la para melhorá-la -, a resolver problemas e para aprender conceitos de outras disciplinas tradicionais. 

Nessas aulas, são utilizados diferentes materiais, recursos e linguagens, mas tudo com um direcionamento objetivo e prático. 

É natural que dúvidas surjam junto às novidades na educação. Afinal, a educação das crianças é uma das maiores responsabilidades de seus pais e das escolas. É por isso mesmo que é necessário estarmos abertos a novas possibilidades que tornem o ensino-aprendizagem mais fluido, eficiente, rápido e interessante para a criança.

Também é importante ter em mente que a realidade, hoje, é bastante diferente daquela de anos atrás. As crianças são nativas digitais e, desde cedo, desenvolvem a capacidade de, sempre que surgir uma dúvida ou a vontade de descobrir mais sobre alguma coisa, pesquisarem o tópico no Google. Assim, o próprio senso dos jovens enquanto aprendizes é totalmente diferente daquele de antigamente. Se todas essas variáveis mudaram, por que a educação não deveria mudar também?

E então, ficou mais claro para você o que é e quais são os benefícios da educação criativa? O que você achou dessa metodologia? Deixe sua mensagem nos comentários e continue acompanhando nosso blog para saber mais sobre esse e outros temas importantes para a educação de seu filho. Até a próxima!

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Glaucio Ramos

Glaucio Ramos

Doutor em Linguagem e Cultura, com foco em Análise do Discurso, autor de literatura infantil, contador de histórias, empreendedor social no campo de formação de leitores, formador de professores com mais dez anos de experiência, atuando nos campos da leitura, escrita, oralidade e projetos educacionais.Ganhador de diversos prêmios na área de projetos educacionais – Prêmio Espírito Público 2019; Professores do Brasil, 2018; Prêmio Maria da Penha vai à escola 2019; Prêmio Detran de educação 2017/2018.Autor e fundador do projeto social Leitura na Esquina – biblioteca itinerante.

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